Todo domingo havia banda no coreto do jardim. Era a banda do Serafim, que tinha uma tuba, dentro da qual entrou um gato, e a tuba tocou assim... rom-rom-rom – MIAU – rom-rom-rom-rom.
É uma velha marcha de Carnaval, mas como vivemos em alegria permanente, como nunca na história deste país, é meio parecida com o empenho (reserva de verba) de 135 mil reais que o Senado fez para comprar microfones, um de alta sensibilidade para captação de voz, três para captação de instrumentos, sete varas para usomde microfones direcionais e outros 10 para repórteres.
Tudo indica que Zé Sarney, em sua nova e moralizadora administração do Senado, decidiu formar uma banda para alegrar o povo desta Nação, tão cansado de demagogia e corrupção.
Especula-se quem será o maestro, se Renan Calheiros ou Fernando Collor de Mello, sabidamente dois eminentes tocadores de tuba com gato. Como será um espetáculo híbrido, misturando forró com prestidigitação, já se formou uma fila imensa de candidatos a mágicos especializados em sumir com o miado do gato. O bicho berra dentro da tuba, mas todos fingem que não ouvem. O que, aliás, já enseja a oportunidade de se empenhar mais alguns milhares de reais para comprar aparelhos de surdez.
Enquanto isso, a Câmara Federal também empenhou uma verbinha de 560 reais para comprar “frascos de creme para as mãos”. Com o que o ilustre presidente Michel Temer cumpre a promessa de acabar com os escândalos de verbas de representação, passagens aéreas, combustível, auxílio moradia etc. etc. etc. Lubrificando os dedos, a manipulação torna-se mais discreta, suave e silenciosa.
De fato, não dá escândalo. E para mostrar seu despreendimento, como não há referência no Orçamento da Câmara, o ilustre presidente deve pagar do próprio bolso o Óleo de Peroba para manter impávida a sua augusta face.
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terça-feira, 7 de abril de 2009
A banda de Zé Sarney - Jayme Copstein
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segunda-feira, 6 de abril de 2009
Carência - Jayme Copstein
Zé Sarney, cujo governo de triste memória pôs na lata do lixo alguns decênios da história brasileira, volta a freqüentar o noticiário. Roberto Pompeu de Toledo escreveu na Veja desta semana uma frase antológica: “Há muitos campeões do atraso na política brasileira. Sarney é o campeão dos campeões, tanto por antiguidade quanto, sobretudo, por mérito”. (“O Oligarca perfeito”, página 138).
Há poucos dias, nesta coluna, falei de Zé Sarney e de suas reincidências (“Bugios, papagaios e quero-queros”). Ele tem sido meu assunto ao longo dos anos, desde a morte de Tancredo Neves. Quando apresentava o Brasil na Madrugada (Rádio Gaúcha), a partir do estelionato do Plano Cruzado contei, dia por dia – e no último dia, as horas – os três anos e pico que faltavam para encerrar seu governo.
Por cansado, já não me entusiasmo com esses assuntos. Tudo é tão repetitivo, sempre as mesmas falcatruas, os mesmo personagens... Sarney, Maluf, Barbalho, Dirceu, Quércia... O dia, porém, que alguém for preso de verdade – não apenas se hospedar por algumas horas em celas de luxo – prometo voltar a contar apenas as horas que faltam aos corruptos, não para terminarem mandatos, mas para dar com os costados de vez no xilindró.
Há poucos dias, nesta coluna, falei de Zé Sarney e de suas reincidências (“Bugios, papagaios e quero-queros”). Ele tem sido meu assunto ao longo dos anos, desde a morte de Tancredo Neves. Quando apresentava o Brasil na Madrugada (Rádio Gaúcha), a partir do estelionato do Plano Cruzado contei, dia por dia – e no último dia, as horas – os três anos e pico que faltavam para encerrar seu governo.
Por cansado, já não me entusiasmo com esses assuntos. Tudo é tão repetitivo, sempre as mesmas falcatruas, os mesmo personagens... Sarney, Maluf, Barbalho, Dirceu, Quércia... O dia, porém, que alguém for preso de verdade – não apenas se hospedar por algumas horas em celas de luxo – prometo voltar a contar apenas as horas que faltam aos corruptos, não para terminarem mandatos, mas para dar com os costados de vez no xilindró.
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quarta-feira, 18 de março de 2009
A sacripanta - Jayme Copstein
Pois agora se descobre que Tia Mariquinhas, aquela que vivia presenteando sobrinhos e afilhados com cadernetas de poupança, para aprenderem que mão que economiza é mão que não pede, está a serviço das “zelites”.
Que sacripanta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de fazer a denúncia, ao anunciar medidas severas para evitar que especuladores venham para a poupança, afugentados de outras aplicações pela redução da Taxa Selic. Para combater a voracidade dos ricos, o Presidente anuncia a diminuição do rendimento da poupança dos pobres.
Lula não disse o que o jornal Valor Econômico já havia comentado e foi repercutido aqui (“Sinuca de bico”, domingo, 15 de março): se os investidores correrem para o meio por cento ao mês mais correção pela TR, o Governo fica sem dinheiro para fechar suas contas, pois o dinheiro da poupança é carimbado: financiamento habitacional. Será obrigado a inflacionar a moeda, com a competência desta grande reserva da Nação, Zé Sarney, autor da maior inflação como jamais houve na história deste país.
Até aí nada de novo. O problema é Tia Mariquinhas, a sacripanta com aquela cara de santinha de pau oco, missa diária, comunhão semanal. Enquanto todos acreditávamos que ela queria incutir bons hábitos na criançada, na verdade conspirava contra a estabilidade da República.
Ainda bem que contamos com um grande estadista na Presidência. Ele contribui com sua proverbial clarividência, a turma da poupança com os seus vinténs. De cada um se tira o que se pode.
Que sacripanta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de fazer a denúncia, ao anunciar medidas severas para evitar que especuladores venham para a poupança, afugentados de outras aplicações pela redução da Taxa Selic. Para combater a voracidade dos ricos, o Presidente anuncia a diminuição do rendimento da poupança dos pobres.
Lula não disse o que o jornal Valor Econômico já havia comentado e foi repercutido aqui (“Sinuca de bico”, domingo, 15 de março): se os investidores correrem para o meio por cento ao mês mais correção pela TR, o Governo fica sem dinheiro para fechar suas contas, pois o dinheiro da poupança é carimbado: financiamento habitacional. Será obrigado a inflacionar a moeda, com a competência desta grande reserva da Nação, Zé Sarney, autor da maior inflação como jamais houve na história deste país.
Até aí nada de novo. O problema é Tia Mariquinhas, a sacripanta com aquela cara de santinha de pau oco, missa diária, comunhão semanal. Enquanto todos acreditávamos que ela queria incutir bons hábitos na criançada, na verdade conspirava contra a estabilidade da República.
Ainda bem que contamos com um grande estadista na Presidência. Ele contribui com sua proverbial clarividência, a turma da poupança com os seus vinténs. De cada um se tira o que se pode.
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