Um leitor manifesta contrariedade, achando que é preconceito contra “um operário no poder” as análises desta coluna sobre os riscos da economia brasileira neste momento de tensão mundial, em que todos os países caminham no fio da navalha.
Lástima que as preocupações do colunista não tenham origem em ideologias, como sugere o leitor, porque então tudo se resolveria com a facilidade das rivalidades carnavalescas. Desde que Delfim Netto, de direitista demonizado passou a ser o novo amigo de infância de Lula, não dá para se levar muito a serio convicções ideológicas neste país.
O que aqui se tem falado, diz respeito às advertências do noticiário internacional. A cotação do petróleo está lá em cima, não se sabe aonde vai parar, a União Européia, computados os últimos 12 meses, enfrenta inflação crescente (3,5% em março, 3,3% em fevereiro, 3,2% em janeiro), com taxas já bem acima dos 2% convencionados como o limite máximo saudável.
A inflação, aliás, é a preocupação das autoridades monetárias internacionais, reunidas ontem em Basiléia, Suíça, Nos últimos setes meses, o barril de petróleo subiu 39% e as matérias-primas, 24%.
As autoridades monetárias internacionais estão alertando que o quadro poderá afetar o Brasil, apesar do seu recente “investment grade”, e também a China e a Índia pela pressão da demanda resultante do grande aumento do consumo.
Mostrando postagens com marcador inflação. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador inflação. Mostrar todas as postagens
quarta-feira, 6 de maio de 2009
terça-feira, 5 de maio de 2009
Dança de caranguejo - Jayme Copstein
Como sucesso só é sucesso quando renovado sempre, a expectativa, agora, é o próximo passo do governo para preservar o “grau de investimento”, alcançado pelo país na semana passada. Lisa Schineller, diretora de avaliação da Standard & Poor’s, a agência de risco que carimbou o Brasil com o galardão, advertiu para a necessidade de o país ajustar os gastos públicos se quiser manter a posição conquistado.
Falando para especialistas em finanças e jornalistas especializados, Lisa Schinelle disse que, apesar de ainda estar 7 pontos acima do nível ideal (40%), na relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto, o Brasil obteve a classificação porque o comportamento de seu governo inspira confiança aos investidores internacionais. Enfatizou, entretanto, serem necessárias reformas para diminuir os gatos públicos e reduzir a relação, e citou especificamente a reforma da Previdência e a reforma tributária.
Seria o passo adiante.
Passo atrás
Pois bem. O noticiário dos últimos dias mostra o Governo ensaiando os dois passos para trás, ao encarregar as centrais sindicais de negociar a mudança das regras da Previdência Social, diante da aprovação pelo Senado de propostas do senador Paulo Paim, mandando corrigir os benefícios pelos mesmos índices de reajuste do salário mínimo e extinguindo o fator previdenciário criado para desestimular aposentadorias precoces.
É a linha reta para o rombo da Previdência, para o conseqüente aumento dos gastos públicos, no sentido contrario ao da recomendação para preservar a confiança do mercado internacional.
As boas intenções do senador Paulo Paim foram adubadas pela maior cafajestada política de que se tem notícia na história deste país: a oposição pretendendo revogar, apenas para acossar o atual governo, o que ela própria havia instituído, sob o ranger de dentes do atual governo então oposição, quando Fernando Henrique Cardoso presidiu o país.
O fator previdenciário foi introduzido na legislação pela impossibilidade de remover resistência ao limite mínimo de idade para aposentadoria, que equilibrasse tempo de contribuição com tempo de benefício. É consenso mundial que não pode baixar de 65 anos, haja vista a elevação da expectativa média de vida. Não se conseguiu avançar nesse ponto, daí o fator previdenciário.
A correção dos benefícios, vinculada ao percentual de reajuste do salário mínimo tinha a ver com os tempos de inflação, quando havia apenas um índice, o da desvalorização da moeda. Depois de 1990, os benefícios continuaram sendo corrigidos pela inflação, enquanto o salário mínimo foi elevado acima desses percentuais, para aproximar-se da exigência constitucional de assegurar vida decente ao trabalhador. Hoje, seu valor anda em torno de 250 dólares, cinco vezes o de 1994, no início do Plano Real.
Inflação à vista
É evidente que os benefícios de quem se aposentou com proventos acima do salário mínimos, estão sendo corroídos porque o governo vem mascarando a inflação há bastante tempo, para manter sua popularidade. Só quem é faquir e vive de fazer jejum é que ainda não percebeu.
Não foi à-toa, portanto, nem foi por diletantismo que o Banco Central elevou a Taxa Selic e vai aumentá-la ainda mais na próxima reunião do Conselho Monetário. A situação tende a se agravar, com o aumento dos combustiveis, represado propositalmente nesses dois anos e meio.
O governo andou apostando grande que a crise do petróleo era passageira e perdeu. Vê-se agora acossado pela perda de rentabilidade da Petrobrás – falam em mais de 700 milhões dólares neste primeiro trimestre de 2008 – e pela diminuição da respectiva capacidade de investimento, mas assim mesmo escolhe o pior caminho: renuncia a quase 3 bilhões de receita da Cide, a Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico, para que o aumento do preço da gasolina ao consumidor não seja superior a 0, 01%. Em compensação, o preço do diesel subirá em torno de 8% , o que vai encarecer o preço dos fretes e, em conseqüência, pressionar ainda mais os preços dos alimentos.
Cadê a coragem?
É esta uma situação irreversível? Não, se o governo estiver disposto a uma cirurgia radical, controlando os gastos públicos. Para isso, terá de proceder com urgência às reformas da Previdenciária e cortar na própria carne, dispensando a legião de aspones que pendurou nas tetas do Tesouro, além de moralizar o uso dos cartões corporativos e outras mumunhas menos conhecidas do público.
A única dúvida é se o aperto das contas daí resultante preservará a imagem do governo, às vésperas das eleições municipais. Vai depender da sua coragem para dizer ao eleitor que as circunstâncias estão a exigir sacrifícios, como os do começo do Plano Real.
No passado, o governo de triste memória de Zé Sarney, que deteriorou este país e jogou na lata no lixo mais de 20 anos de história, chafurdou na demagogia e enganou a Nação com seu Plano Cruzado.
Terá o governo do sr. Luiz Inácio Lula da Silva coragem para não reincidir no crime?
Falando para especialistas em finanças e jornalistas especializados, Lisa Schinelle disse que, apesar de ainda estar 7 pontos acima do nível ideal (40%), na relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto, o Brasil obteve a classificação porque o comportamento de seu governo inspira confiança aos investidores internacionais. Enfatizou, entretanto, serem necessárias reformas para diminuir os gatos públicos e reduzir a relação, e citou especificamente a reforma da Previdência e a reforma tributária.
Seria o passo adiante.
Passo atrás
Pois bem. O noticiário dos últimos dias mostra o Governo ensaiando os dois passos para trás, ao encarregar as centrais sindicais de negociar a mudança das regras da Previdência Social, diante da aprovação pelo Senado de propostas do senador Paulo Paim, mandando corrigir os benefícios pelos mesmos índices de reajuste do salário mínimo e extinguindo o fator previdenciário criado para desestimular aposentadorias precoces.
É a linha reta para o rombo da Previdência, para o conseqüente aumento dos gastos públicos, no sentido contrario ao da recomendação para preservar a confiança do mercado internacional.
As boas intenções do senador Paulo Paim foram adubadas pela maior cafajestada política de que se tem notícia na história deste país: a oposição pretendendo revogar, apenas para acossar o atual governo, o que ela própria havia instituído, sob o ranger de dentes do atual governo então oposição, quando Fernando Henrique Cardoso presidiu o país.
O fator previdenciário foi introduzido na legislação pela impossibilidade de remover resistência ao limite mínimo de idade para aposentadoria, que equilibrasse tempo de contribuição com tempo de benefício. É consenso mundial que não pode baixar de 65 anos, haja vista a elevação da expectativa média de vida. Não se conseguiu avançar nesse ponto, daí o fator previdenciário.
A correção dos benefícios, vinculada ao percentual de reajuste do salário mínimo tinha a ver com os tempos de inflação, quando havia apenas um índice, o da desvalorização da moeda. Depois de 1990, os benefícios continuaram sendo corrigidos pela inflação, enquanto o salário mínimo foi elevado acima desses percentuais, para aproximar-se da exigência constitucional de assegurar vida decente ao trabalhador. Hoje, seu valor anda em torno de 250 dólares, cinco vezes o de 1994, no início do Plano Real.
Inflação à vista
É evidente que os benefícios de quem se aposentou com proventos acima do salário mínimos, estão sendo corroídos porque o governo vem mascarando a inflação há bastante tempo, para manter sua popularidade. Só quem é faquir e vive de fazer jejum é que ainda não percebeu.
Não foi à-toa, portanto, nem foi por diletantismo que o Banco Central elevou a Taxa Selic e vai aumentá-la ainda mais na próxima reunião do Conselho Monetário. A situação tende a se agravar, com o aumento dos combustiveis, represado propositalmente nesses dois anos e meio.
O governo andou apostando grande que a crise do petróleo era passageira e perdeu. Vê-se agora acossado pela perda de rentabilidade da Petrobrás – falam em mais de 700 milhões dólares neste primeiro trimestre de 2008 – e pela diminuição da respectiva capacidade de investimento, mas assim mesmo escolhe o pior caminho: renuncia a quase 3 bilhões de receita da Cide, a Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico, para que o aumento do preço da gasolina ao consumidor não seja superior a 0, 01%. Em compensação, o preço do diesel subirá em torno de 8% , o que vai encarecer o preço dos fretes e, em conseqüência, pressionar ainda mais os preços dos alimentos.
Cadê a coragem?
É esta uma situação irreversível? Não, se o governo estiver disposto a uma cirurgia radical, controlando os gastos públicos. Para isso, terá de proceder com urgência às reformas da Previdenciária e cortar na própria carne, dispensando a legião de aspones que pendurou nas tetas do Tesouro, além de moralizar o uso dos cartões corporativos e outras mumunhas menos conhecidas do público.
A única dúvida é se o aperto das contas daí resultante preservará a imagem do governo, às vésperas das eleições municipais. Vai depender da sua coragem para dizer ao eleitor que as circunstâncias estão a exigir sacrifícios, como os do começo do Plano Real.
No passado, o governo de triste memória de Zé Sarney, que deteriorou este país e jogou na lata no lixo mais de 20 anos de história, chafurdou na demagogia e enganou a Nação com seu Plano Cruzado.
Terá o governo do sr. Luiz Inácio Lula da Silva coragem para não reincidir no crime?
Marcadores:
inflação,
petróleo,
Plano Cruzado,
Previdência Social
quarta-feira, 18 de março de 2009
A sacripanta - Jayme Copstein
Pois agora se descobre que Tia Mariquinhas, aquela que vivia presenteando sobrinhos e afilhados com cadernetas de poupança, para aprenderem que mão que economiza é mão que não pede, está a serviço das “zelites”.
Que sacripanta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de fazer a denúncia, ao anunciar medidas severas para evitar que especuladores venham para a poupança, afugentados de outras aplicações pela redução da Taxa Selic. Para combater a voracidade dos ricos, o Presidente anuncia a diminuição do rendimento da poupança dos pobres.
Lula não disse o que o jornal Valor Econômico já havia comentado e foi repercutido aqui (“Sinuca de bico”, domingo, 15 de março): se os investidores correrem para o meio por cento ao mês mais correção pela TR, o Governo fica sem dinheiro para fechar suas contas, pois o dinheiro da poupança é carimbado: financiamento habitacional. Será obrigado a inflacionar a moeda, com a competência desta grande reserva da Nação, Zé Sarney, autor da maior inflação como jamais houve na história deste país.
Até aí nada de novo. O problema é Tia Mariquinhas, a sacripanta com aquela cara de santinha de pau oco, missa diária, comunhão semanal. Enquanto todos acreditávamos que ela queria incutir bons hábitos na criançada, na verdade conspirava contra a estabilidade da República.
Ainda bem que contamos com um grande estadista na Presidência. Ele contribui com sua proverbial clarividência, a turma da poupança com os seus vinténs. De cada um se tira o que se pode.
Que sacripanta. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva acaba de fazer a denúncia, ao anunciar medidas severas para evitar que especuladores venham para a poupança, afugentados de outras aplicações pela redução da Taxa Selic. Para combater a voracidade dos ricos, o Presidente anuncia a diminuição do rendimento da poupança dos pobres.
Lula não disse o que o jornal Valor Econômico já havia comentado e foi repercutido aqui (“Sinuca de bico”, domingo, 15 de março): se os investidores correrem para o meio por cento ao mês mais correção pela TR, o Governo fica sem dinheiro para fechar suas contas, pois o dinheiro da poupança é carimbado: financiamento habitacional. Será obrigado a inflacionar a moeda, com a competência desta grande reserva da Nação, Zé Sarney, autor da maior inflação como jamais houve na história deste país.
Até aí nada de novo. O problema é Tia Mariquinhas, a sacripanta com aquela cara de santinha de pau oco, missa diária, comunhão semanal. Enquanto todos acreditávamos que ela queria incutir bons hábitos na criançada, na verdade conspirava contra a estabilidade da República.
Ainda bem que contamos com um grande estadista na Presidência. Ele contribui com sua proverbial clarividência, a turma da poupança com os seus vinténs. De cada um se tira o que se pode.
Assinar:
Postagens (Atom)