Como sucesso só é sucesso quando renovado sempre, a expectativa, agora, é o próximo passo do governo para preservar o “grau de investimento”, alcançado pelo país na semana passada. Lisa Schineller, diretora de avaliação da Standard & Poor’s, a agência de risco que carimbou o Brasil com o galardão, advertiu para a necessidade de o país ajustar os gastos públicos se quiser manter a posição conquistado.
Falando para especialistas em finanças e jornalistas especializados, Lisa Schinelle disse que, apesar de ainda estar 7 pontos acima do nível ideal (40%), na relação entre a dívida pública e o Produto Interno Bruto, o Brasil obteve a classificação porque o comportamento de seu governo inspira confiança aos investidores internacionais. Enfatizou, entretanto, serem necessárias reformas para diminuir os gatos públicos e reduzir a relação, e citou especificamente a reforma da Previdência e a reforma tributária.
Seria o passo adiante.
Passo atrás
Pois bem. O noticiário dos últimos dias mostra o Governo ensaiando os dois passos para trás, ao encarregar as centrais sindicais de negociar a mudança das regras da Previdência Social, diante da aprovação pelo Senado de propostas do senador Paulo Paim, mandando corrigir os benefícios pelos mesmos índices de reajuste do salário mínimo e extinguindo o fator previdenciário criado para desestimular aposentadorias precoces.
É a linha reta para o rombo da Previdência, para o conseqüente aumento dos gastos públicos, no sentido contrario ao da recomendação para preservar a confiança do mercado internacional.
As boas intenções do senador Paulo Paim foram adubadas pela maior cafajestada política de que se tem notícia na história deste país: a oposição pretendendo revogar, apenas para acossar o atual governo, o que ela própria havia instituído, sob o ranger de dentes do atual governo então oposição, quando Fernando Henrique Cardoso presidiu o país.
O fator previdenciário foi introduzido na legislação pela impossibilidade de remover resistência ao limite mínimo de idade para aposentadoria, que equilibrasse tempo de contribuição com tempo de benefício. É consenso mundial que não pode baixar de 65 anos, haja vista a elevação da expectativa média de vida. Não se conseguiu avançar nesse ponto, daí o fator previdenciário.
A correção dos benefícios, vinculada ao percentual de reajuste do salário mínimo tinha a ver com os tempos de inflação, quando havia apenas um índice, o da desvalorização da moeda. Depois de 1990, os benefícios continuaram sendo corrigidos pela inflação, enquanto o salário mínimo foi elevado acima desses percentuais, para aproximar-se da exigência constitucional de assegurar vida decente ao trabalhador. Hoje, seu valor anda em torno de 250 dólares, cinco vezes o de 1994, no início do Plano Real.
Inflação à vista
É evidente que os benefícios de quem se aposentou com proventos acima do salário mínimos, estão sendo corroídos porque o governo vem mascarando a inflação há bastante tempo, para manter sua popularidade. Só quem é faquir e vive de fazer jejum é que ainda não percebeu.
Não foi à-toa, portanto, nem foi por diletantismo que o Banco Central elevou a Taxa Selic e vai aumentá-la ainda mais na próxima reunião do Conselho Monetário. A situação tende a se agravar, com o aumento dos combustiveis, represado propositalmente nesses dois anos e meio.
O governo andou apostando grande que a crise do petróleo era passageira e perdeu. Vê-se agora acossado pela perda de rentabilidade da Petrobrás – falam em mais de 700 milhões dólares neste primeiro trimestre de 2008 – e pela diminuição da respectiva capacidade de investimento, mas assim mesmo escolhe o pior caminho: renuncia a quase 3 bilhões de receita da Cide, a Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico, para que o aumento do preço da gasolina ao consumidor não seja superior a 0, 01%. Em compensação, o preço do diesel subirá em torno de 8% , o que vai encarecer o preço dos fretes e, em conseqüência, pressionar ainda mais os preços dos alimentos.
Cadê a coragem?
É esta uma situação irreversível? Não, se o governo estiver disposto a uma cirurgia radical, controlando os gastos públicos. Para isso, terá de proceder com urgência às reformas da Previdenciária e cortar na própria carne, dispensando a legião de aspones que pendurou nas tetas do Tesouro, além de moralizar o uso dos cartões corporativos e outras mumunhas menos conhecidas do público.
A única dúvida é se o aperto das contas daí resultante preservará a imagem do governo, às vésperas das eleições municipais. Vai depender da sua coragem para dizer ao eleitor que as circunstâncias estão a exigir sacrifícios, como os do começo do Plano Real.
No passado, o governo de triste memória de Zé Sarney, que deteriorou este país e jogou na lata no lixo mais de 20 anos de história, chafurdou na demagogia e enganou a Nação com seu Plano Cruzado.
Terá o governo do sr. Luiz Inácio Lula da Silva coragem para não reincidir no crime?
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terça-feira, 5 de maio de 2009
terça-feira, 14 de abril de 2009
O velho pecado - Jayme Copstein
O Estado da Califórnia elegeu o álcool de cana como combustível alternativo à gasolina e ao diesel por ser significativamente menos poluente; Ao mesmo tempo em que é boa notícia para o Brasil, o mais importante produtor mundial, deixa transparecer o velho pecado deste país, o da falta de investimento em pesquisa de tecnologia para assegurar privilégios que a Natureza lhe deu de presente.
Vai para mais de 30 anos que se desenvolveu no Brasil a produção do álcool combustível. A tanto quanto se sabe, nada a ela foi acrescentado em termos de produtividade. Produz-se mais porque se planta mais, não porque se extraia mais da cana plantada. A decisão da Califórnia está a indicar que tanto o hidrogênio quanto a eletricidade – os dois mais falados – ainda estão longe de se universalizar como combustível para veículos automotores.
A notícia, publicada originalmente no jornal Valor Econômico e glosada em editorial da Folha de São Paulo, menciona relatório do Conselho de Recursos Aéreos da Califórnia, dando conta de que no Brasil o álcool reduziu em 72% as emissões de veículos que agravam o efeito estufa. O relatório recomenda o nosso produto como vital para reduzir em até 80%, nos próximos 40 anos, os níveis atuais de carbono na atmosfera californiana.
Evidente, o álcool combustível não está livre de polêmicas. Argumento consistente contra a ampliação dos canaviais assinala a redução de outras culturas, afetando a produção de alimentos. É aí que entra a necessidade da pesquisa de tecnologia, aliás, já em andamento nos Estados Unidos e em países da Europa, para extrair o álcool da celulose, presente em qualquer vegetal e, enfatize-se, no bagaço da cana, descartado depois da moagem.
Não é difícil saber-se quanto de álcool ainda poderia ser extraído da celulose do bagaço, caso o governo brasileiro percebesse que o calendário já rodou até o século 21, para não se repetir com a cana-de-açúcar o que, no passado, aconteceu com o café, quando éramos o “rei do pedaço”. Hoje, afora disputarmos mercado com outros países, importamos tecnologia dos alemães e dos italianos que não produzem um grão sequer em suas próprias terras.
Vai para mais de 30 anos que se desenvolveu no Brasil a produção do álcool combustível. A tanto quanto se sabe, nada a ela foi acrescentado em termos de produtividade. Produz-se mais porque se planta mais, não porque se extraia mais da cana plantada. A decisão da Califórnia está a indicar que tanto o hidrogênio quanto a eletricidade – os dois mais falados – ainda estão longe de se universalizar como combustível para veículos automotores.
A notícia, publicada originalmente no jornal Valor Econômico e glosada em editorial da Folha de São Paulo, menciona relatório do Conselho de Recursos Aéreos da Califórnia, dando conta de que no Brasil o álcool reduziu em 72% as emissões de veículos que agravam o efeito estufa. O relatório recomenda o nosso produto como vital para reduzir em até 80%, nos próximos 40 anos, os níveis atuais de carbono na atmosfera californiana.
Evidente, o álcool combustível não está livre de polêmicas. Argumento consistente contra a ampliação dos canaviais assinala a redução de outras culturas, afetando a produção de alimentos. É aí que entra a necessidade da pesquisa de tecnologia, aliás, já em andamento nos Estados Unidos e em países da Europa, para extrair o álcool da celulose, presente em qualquer vegetal e, enfatize-se, no bagaço da cana, descartado depois da moagem.
Não é difícil saber-se quanto de álcool ainda poderia ser extraído da celulose do bagaço, caso o governo brasileiro percebesse que o calendário já rodou até o século 21, para não se repetir com a cana-de-açúcar o que, no passado, aconteceu com o café, quando éramos o “rei do pedaço”. Hoje, afora disputarmos mercado com outros países, importamos tecnologia dos alemães e dos italianos que não produzem um grão sequer em suas próprias terras.
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terça-feira, 17 de março de 2009
Lula e Obama - Jayme Copstein
Pode-se conjecturar mil e um itens na pauta do encontro entre Barak Obama e Luiz Inácio Lula da Silva, mas com toda a certeza a substituição da Venezuela pelo Brasil no fornecimento de petróleo aos Estados Unidos foi um deles. Rumores vazados para os jornais e a reação de Hugo Chavez, oferecendo aos russos uma base militar na América Latina às vésperas da viagem de Lula, deram fundamento às suposições.
Veio depois uma desconversa norte-americana a respeito do etanol, assunto destacado como prioritário na pauta de Lula, segundo os jornais. Era tema para muita reflexão, declarou Obama, no jargão diplomático que permite dizer um redondo “não”, através de um “sim” evasivo.
E Hugo Chavez ficou pendurado no pincel porque, afora os imensos custos da empreitada, os russos não mostraram interesse na oferta, cientes das conseqüências de cutucar a onça com vara curta, erro cometido por Bush no fim de seu mandato, pretendendo um escudo anti-míssil no Leste Europeu.
A Venezuela vende aos EUA entre 40 e 70% do seu petróleo, mas as ameaças de Chaves, de “cerrar el grifo del crudo”, não têm o menor sentido: além de representar apenas 11% de todo o petróleo que os americanos importam, o volume maior destina-se a abastecer as quatro refinarias e os mais de 15 mil postos de serviço da PDVSA nos Estados Unidos. É de onde brotam os 80 milhões de dólares diários que mantêm de pé o Tesouro em Caracas.
A substituição não só da Venezuela, mas de parte de outros fornecedores mundiais de óleo cru pelo Brasil é previsível na próxima década, não só pela capacidade de fornecê-lo graças às imensas jazidas detectadas nos últimos anos, mas também pela estabilidade política que permite falar em consolidação da democracia.
Como o dinheiro, matérias-primas não têm ideologia. Os compradores apenas exigem regularidade no fornecimento, duvidoso quando o maior talento do fornecedor é a insanidade – o caso de Chavez.
Veio depois uma desconversa norte-americana a respeito do etanol, assunto destacado como prioritário na pauta de Lula, segundo os jornais. Era tema para muita reflexão, declarou Obama, no jargão diplomático que permite dizer um redondo “não”, através de um “sim” evasivo.
E Hugo Chavez ficou pendurado no pincel porque, afora os imensos custos da empreitada, os russos não mostraram interesse na oferta, cientes das conseqüências de cutucar a onça com vara curta, erro cometido por Bush no fim de seu mandato, pretendendo um escudo anti-míssil no Leste Europeu.
A Venezuela vende aos EUA entre 40 e 70% do seu petróleo, mas as ameaças de Chaves, de “cerrar el grifo del crudo”, não têm o menor sentido: além de representar apenas 11% de todo o petróleo que os americanos importam, o volume maior destina-se a abastecer as quatro refinarias e os mais de 15 mil postos de serviço da PDVSA nos Estados Unidos. É de onde brotam os 80 milhões de dólares diários que mantêm de pé o Tesouro em Caracas.
A substituição não só da Venezuela, mas de parte de outros fornecedores mundiais de óleo cru pelo Brasil é previsível na próxima década, não só pela capacidade de fornecê-lo graças às imensas jazidas detectadas nos últimos anos, mas também pela estabilidade política que permite falar em consolidação da democracia.
Como o dinheiro, matérias-primas não têm ideologia. Os compradores apenas exigem regularidade no fornecimento, duvidoso quando o maior talento do fornecedor é a insanidade – o caso de Chavez.
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