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quinta-feira, 9 de abril de 2009

Ditos e achados - Jayme Copstein

O problema das profecias é que elas dependem do futuro. Em um país como o Brasil, onde nem o passado é confiável, até Nostradamus corre o risco de morrer de fome.

terça-feira, 17 de março de 2009

Lula e Obama - Jayme Copstein

Pode-se conjecturar mil e um itens na pauta do encontro entre Barak Obama e Luiz Inácio Lula da Silva, mas com toda a certeza a substituição da Venezuela pelo Brasil no fornecimento de petróleo aos Estados Unidos foi um deles. Rumores vazados para os jornais e a reação de Hugo Chavez, oferecendo aos russos uma base militar na América Latina às vésperas da viagem de Lula, deram fundamento às suposições.

Veio depois uma desconversa norte-americana a respeito do etanol, assunto destacado como prioritário na pauta de Lula, segundo os jornais. Era tema para muita reflexão, declarou Obama, no jargão diplomático que permite dizer um redondo “não”, através de um “sim” evasivo.

E Hugo Chavez ficou pendurado no pincel porque, afora os imensos custos da empreitada, os russos não mostraram interesse na oferta, cientes das conseqüências de cutucar a onça com vara curta, erro cometido por Bush no fim de seu mandato, pretendendo um escudo anti-míssil no Leste Europeu.

A Venezuela vende aos EUA entre 40 e 70% do seu petróleo, mas as ameaças de Chaves, de “cerrar el grifo del crudo”, não têm o menor sentido: além de representar apenas 11% de todo o petróleo que os americanos importam, o volume maior destina-se a abastecer as quatro refinarias e os mais de 15 mil postos de serviço da PDVSA nos Estados Unidos. É de onde brotam os 80 milhões de dólares diários que mantêm de pé o Tesouro em Caracas.

A substituição não só da Venezuela, mas de parte de outros fornecedores mundiais de óleo cru pelo Brasil é previsível na próxima década, não só pela capacidade de fornecê-lo graças às imensas jazidas detectadas nos últimos anos, mas também pela estabilidade política que permite falar em consolidação da democracia.

Como o dinheiro, matérias-primas não têm ideologia. Os compradores apenas exigem regularidade no fornecimento, duvidoso quando o maior talento do fornecedor é a insanidade – o caso de Chavez.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Velhas cantigas - Jayme Copstein

“As pressões que o PMDB, capitaneado por José Sarney, Renan Calheiros, Michel Temer e outros menos votados, ameaçam desembocar em crise política. É estranho, tanto a vocação do sr. José Sarney, que parece estar sempre em qualquer rampa por onde a vida do país deslize para o atraso, quanto o poder que ele detém dentro do parlamento, a ponto de tornar refém o governo da República. Ocupado com as tricas e futricas do apoio deste PMDB, descaradamente na base do toma lá, dá cá, o governo do sr. Luiz Inácio Lula da Silva parece imobilizado e estático, e com isso descontentando outros aliados, à espera do cumprimento de promessas, utilizadas como engodo para mantê-los bem comportados”.

Sabem de quem é este texto? Deste colunista. Foi escrito em 14 de janeiro de 2004 e é reproduzido agora porque o leitor Mário Borba, de Porto Alegre, pergunta por que ele não tem se ocupado com mais profundidade do fandango em que os personagens citados transformaram a vida pública brasileira.

A razão é simples: estar falando como se pregasse no deserto. Em janeiro de 2008, em comentário de estreia na Rádio Pampa, falei a Marne Barcelos que, se pegasse tudo o que já havia escrito sobre a malandragem e corrupção na política, bastaria substituir os que morreram por outros “vivos”. O resto poderia ficar tal como foi redigido, palavras por palavra, vírgula por vírgula.

Confesso que há exagero nessa afirmativa. Passados cinco anos desse comentário, sequer o nome dos “vivos” é necessário mudar.

“Em nome do bom senso e para preservar vidas inocentes é necessário que se contenham malucos messiânicos, do tipo João Pedro Stédile, ou Bruno Maranhão. Faça-se com urgência, antes que ocorra uma tragédia semelhante ou até pior que a de Carajás, quando a irresponsabilidade criminosa de líderes do MST jogou uma massa de pobres coitados conta a Polícia Militar”.

O texto (“Antes que seja tarde”) é de 2006. Acrescente-se apenas que militantes do MST assassinaram quatro seguranças de uma fazenda em Pernambuco.

Poderia seguir nesta trilha até o infinito. Nunca contei quantos comentários escrevi sobre a política brasileira, mas apenas reproduzo o parágrafo final de “O comício dos deserdados”, de 2005:

“A sociedade brasileira é permanente exercício de hipocrisia dissimulado na eloquência de um comício de deserdados. Eles são convocados para bloquear estradas, fechar ruas, destruir patrimônio público, gritar palavras de ordem e ouvir discursos de privilegiados – o advogado, o médico, o jornalista, o juiz, o dentista, o economista, o empresário, o contabilista, o burocrata, o artista da novela, as senhoras do chá das cinco, os jovens dos bares da moda. Os deserdados continuam cada vez mais deserdados”.

Que mais se pode dizer?