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domingo, 12 de abril de 2009

Ditos e Achados - Marcos Rolim (*)

“A administração pública no Brasil se fragiliza por muitas razões. A primeira delas é a corrupção endêmica – um fenômeno que, a par de todas as denúncias, segue subestimado. A segunda é a colonização do Estado pelos partidos; processo que torna a ideia de ‘interesse público’ uma miragem e dissemina a incompetência”.

(*) Marcos Rolim, jornalista, em “Pelo bom Debate” (Zero Hora, 12/04).

segunda-feira, 23 de março de 2009

A hora do basta - Jayme Copstein

Com o Poder Público agindo como se o país inteiro fosse feudo de políticos corruptos, que nenhuma satisfação devem a quem quer que seja, chegamos à fronteira da abjeção: ou exigimos clareza da classe política, com punição exemplar aos ladrões, ou só nos restar rasgar a Declaração de Independência e nos conformarmos com a condição de mero covil. Não há mais o que debater.

A cada fim de semana, dezenas de milhares de torcedores enchem os estádios de futebol de todo o país. Não se consegue a décima parte para montar protesto nas cidades brasileiras, sob a forma de comícios, cartazes, panelaços, mensagens pela internet, enfim para dizer que chegou a hora do “Basta!”.

Todavia são de estarrecer os números revelados pelo portal eletrônico “Contas Abertas” (http://contasabertas.uol.com.br), dos quais vamos valem como exemplo os “gastos” do Senado.

Examinem esses números. Quem puder permanecer calado, parabéns – merece os políticos que tem. Talvez, quem sabe, consiga ingressar na confraria.

Em 2007, as despesas do Senado, só com pessoal, somaram 2 bilhões mais cem milhões de reais. Em 2008, com a crise internacional se avolumando, o país cortando investimentos, a despesa cresceu 200 milhões de reais (valor equivalente bem mais do que um milhão de sacos de milho) – somou para R$ 2 bilhões, 300 milhões.

Onde vai tanto dinheiro? Cada “diretor” do Senado – são 181 no total – recebe, em média, 20 mil reais por mês. Completam a folha de pagamento 3500 servidores efetivos, 3000 assessores (cargos de confiança) e 1800 funcionários terceirizados. Ou seja, 102 funcionários por senador. Entre os cargos de confiança, até amantes de políticos já falecidos encontram osso para chupar o tutano.

Só em bufês – coquetéis e salgadinhos – a conta somou 230 mil reais. É de forrar estômago de dinossauro. Rasgar dinheiro deve ser uma das solenidades nas comemorações do Senado – 369.800 reais só para promovê-las.

Em cópias xerográficas, mais 3 milhões, 800 mil reais. O que não exclui também que os Pais da Pátria sejam os mais bem informados do planeta – um milhão e meio de reais para assinaturas de jornais e revistas – e que não se trumbicam porque muito se comunicam: 11 milhões e 100 mil reais em telefonia.

Viagens também são rubrica importante no orçamento do Senado: Entre 2007 e 2008, foram gastos 49 milhões e 400 mil reais na compra de passagens ou despesas de locomoção. Só as viagens internacionais consumiram 3 milhões e 900 mil reais em passagens.

E há a caixa preta, rotulada de despesas médico-hospitalares e odontológicas, pagos a hospitais e clínicas famosas no país: quase 60 milhões de reais em 2008. Sob pretexto de preservar a privacidade dos beneficiados, não são especificados os serviços que consumiram esta montanha de dinheiro. Tem muito silicone de madame, balançando ao vento, às custas do contribuinte.

Por aí afora. Esta é a hora, portanto, de se dizer: “Basta!”.

domingo, 22 de março de 2009

Ditos e achados -- Humberto Castello Branco

Nas sociedades subdesenvolvidas, a motivação para resolver problemas excede de muito o conhecimento técnico e a capacidade prática para escolher e aplicar soluções adequadas. Esse contexto de frustração é propício ao surgimento de dois protagonistas funestos para o sadio desenvolvimento democrático: um é o demagogo, que promete resolver todos os problemas, apelando para fórmulas mágicas que trariam soluções integrais e rápidas. Outro é o extremista, que renuncia ao penoso esforço das soluções de melhorias, que por sucessivos incrementos remedeiam os males sociais. O radicalismo ideológico simplifica barbaramente a realidade; se o problema é de luta de classes, escolhe-se uma classe eleita e eliminam-se as outras; se o problema é conter o consumo para acumular capital, escraviza-se o consumidor, transferindo todos os recursos para as mãos do Estado; se o problema é o divisionismo político, estabelece-se a ditadura do partido, e quando este perde o seu fervor, fazem-se expurgos e revoluções culturais.

sexta-feira, 6 de março de 2009

Velhas cantigas - Jayme Copstein

“As pressões que o PMDB, capitaneado por José Sarney, Renan Calheiros, Michel Temer e outros menos votados, ameaçam desembocar em crise política. É estranho, tanto a vocação do sr. José Sarney, que parece estar sempre em qualquer rampa por onde a vida do país deslize para o atraso, quanto o poder que ele detém dentro do parlamento, a ponto de tornar refém o governo da República. Ocupado com as tricas e futricas do apoio deste PMDB, descaradamente na base do toma lá, dá cá, o governo do sr. Luiz Inácio Lula da Silva parece imobilizado e estático, e com isso descontentando outros aliados, à espera do cumprimento de promessas, utilizadas como engodo para mantê-los bem comportados”.

Sabem de quem é este texto? Deste colunista. Foi escrito em 14 de janeiro de 2004 e é reproduzido agora porque o leitor Mário Borba, de Porto Alegre, pergunta por que ele não tem se ocupado com mais profundidade do fandango em que os personagens citados transformaram a vida pública brasileira.

A razão é simples: estar falando como se pregasse no deserto. Em janeiro de 2008, em comentário de estreia na Rádio Pampa, falei a Marne Barcelos que, se pegasse tudo o que já havia escrito sobre a malandragem e corrupção na política, bastaria substituir os que morreram por outros “vivos”. O resto poderia ficar tal como foi redigido, palavras por palavra, vírgula por vírgula.

Confesso que há exagero nessa afirmativa. Passados cinco anos desse comentário, sequer o nome dos “vivos” é necessário mudar.

“Em nome do bom senso e para preservar vidas inocentes é necessário que se contenham malucos messiânicos, do tipo João Pedro Stédile, ou Bruno Maranhão. Faça-se com urgência, antes que ocorra uma tragédia semelhante ou até pior que a de Carajás, quando a irresponsabilidade criminosa de líderes do MST jogou uma massa de pobres coitados conta a Polícia Militar”.

O texto (“Antes que seja tarde”) é de 2006. Acrescente-se apenas que militantes do MST assassinaram quatro seguranças de uma fazenda em Pernambuco.

Poderia seguir nesta trilha até o infinito. Nunca contei quantos comentários escrevi sobre a política brasileira, mas apenas reproduzo o parágrafo final de “O comício dos deserdados”, de 2005:

“A sociedade brasileira é permanente exercício de hipocrisia dissimulado na eloquência de um comício de deserdados. Eles são convocados para bloquear estradas, fechar ruas, destruir patrimônio público, gritar palavras de ordem e ouvir discursos de privilegiados – o advogado, o médico, o jornalista, o juiz, o dentista, o economista, o empresário, o contabilista, o burocrata, o artista da novela, as senhoras do chá das cinco, os jovens dos bares da moda. Os deserdados continuam cada vez mais deserdados”.

Que mais se pode dizer?