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domingo, 22 de março de 2009

Ditos e achados -- Humberto Castello Branco

Nas sociedades subdesenvolvidas, a motivação para resolver problemas excede de muito o conhecimento técnico e a capacidade prática para escolher e aplicar soluções adequadas. Esse contexto de frustração é propício ao surgimento de dois protagonistas funestos para o sadio desenvolvimento democrático: um é o demagogo, que promete resolver todos os problemas, apelando para fórmulas mágicas que trariam soluções integrais e rápidas. Outro é o extremista, que renuncia ao penoso esforço das soluções de melhorias, que por sucessivos incrementos remedeiam os males sociais. O radicalismo ideológico simplifica barbaramente a realidade; se o problema é de luta de classes, escolhe-se uma classe eleita e eliminam-se as outras; se o problema é conter o consumo para acumular capital, escraviza-se o consumidor, transferindo todos os recursos para as mãos do Estado; se o problema é o divisionismo político, estabelece-se a ditadura do partido, e quando este perde o seu fervor, fazem-se expurgos e revoluções culturais.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Bilhete ao senador Tião Viana - Carlos Umberto Campos

Tenho acompanhado o noticiário político nacional e constato que o senhor está sendo defenestrado na mídia. O motivo é o malsinado celular do Senado emprestado por V. Exa. (este pronome de tratamento tem que ser repensado) à sua filha que teria viajado ao México, com o povo pagando a conta (R$ 10.000,00), segundo divulgado pela mídia.

A explicação que o senhor deu é que fez o que fez por ser um pai preocupado. Ouvi hoje no rádio, aqui no RS, a interpretação que o jornalista deu à sua desculpa (que cá entre nós é risível/burlesca). Disse ele que seria como se o senhor tivesse falado assim: "Eu tenho preocupação como pai e vocês contribuintes que paguem a conta. Agora, se vocês tiverem preocupação com seus filhos que paguem a conta vocês mesmos."

Parabéns o senhor só receberá de mim no dia em que tratar a coisa pública com mais seriedade e deixar de contribuir (oferecendo argumentos) àqueles que falam em FECHAR O SENADO, porque não tem sentido o sistema bicameral, que é caro/desnecessário/deficiente.

Para finalizar gostaria que o senhor se manifestasse sobre as seguintes inquietações que tenho:

- o que é pior: uma ditadura ou uma falsa democracia?

- uma falsa democracia não a mesma coisa do que uma ditadura branca?

- o nosso voto em uma falsa democracia tem algum valor? Senador: faça só o melhor para o Brasil. É para isto que lhe outorgaram um mandato!”

segunda-feira, 16 de março de 2009

Veemência e violência - Jayme Copstein

É difícil entender o gesto de cinco vereadores de Porto Alegre – quatro PTB, um do PMDB – devolvendo à psicóloga Sônia Sebenelo o livro que escreveu sobre “Gênero e Poder”, durante sessão de pré-lançamento na Câmara Municipal.

Discordando do termo “ex-ladra” usado pela autora para relatar a comovedora história de vida de Teresa Franco, a “Nega Diaba”, emergida da marginalidade, como exemplo da luta da mulher por um lugar ao sol, os edis decidiram marcar posição através de gesto descortês na aparência, porém uma agressão à liberdade de pensamento na essência.

Teresa Franco, em cujo currículo se inclui mandato de vereadora já quase no final da vida, registrou em declarações à imprensa, as atribulações de seu passado de prostituição, furtos e drogas, relato ao qual acrescentava a fantasia de ter sido a primeira traficante mulher de Porto Alegre.

A discordância dos vereadores centrou-se na expressão “ex-ladra”, usada por Sônia Sebenelo ao relatar no livro a trajetória de Nega Diaba. Queriam “ex-batedora de carteiras”, entendendo haver entre as duas expressões uma diferença cuja sutileza só está ao alcance de intelectos mais privilegiados.

Não é, porém, a discordância o ponto central. É a descortesia do gesto, o de devolver o livro à autora em plena sessão da qual eram, como seus pares, os anfitriões. A grosseria transforma veemência, direito do debatedor, em violência para coagir o antagonista ao silêncio. É incompatível com um legislativo, o altar onde a chama da liberdade se mantém acesa, mesmo nos piores tempos quando se refugia no aconchego dos mártires.

É com gestos assim que começam as ditaduras. Hoje se impõe o que pode e não pode ser escrito. Amanhã, o que pode ser e não pode ser votado na Câmara Municipal, na Assembléia Legislativa ou no Congresso. Depois de amanhã, o que cada de um nós deve pensar e dizer em honra do Guia dos Povos. .