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quinta-feira, 23 de abril de 2009

A lã das ovelhas - Jayme Copstein

Cada povo tem o político que merece? Ou cada ovelha têm o tosquiador que elege?

É absolutamente inofensiva e despida de qualquer sentido a reação do eleitor diante da Casa de Mãe Joana em que se transformou o Parlamento brasileiro.

Repetem-se os mesmos desaforos, as mesma piadinhas e mesmíssimas sugestões estapafúrdias de fechamento do Congresso, quando seria o caso de ir para as ruas exigir o fim imediato da patifaria, com a devolução do dinheiro apropriado ou indenização pelos abusos cometidos e, principalmente, a imediata reforma política – voto distrital, eleição também dos suplentes dos senadores e instituição da retomada do mandato, como existe em qualquer país civilizado, para que o povo decida o destino dos corruptos.

Da proverbial carneirice resulta mais tosquia: o presidente da Câmara Federal, ele próprio envolvido na esbórnia das passagens – vai moralizar o “pedaço” aumentando os subsídios dos deputados. Deseja apenas ganhar tempo. Conta com a falta de memória do eleitor e também porque amanhã é outro dia. Vocês sabem... aquele empreguinho, aquela concorrenciazinha...

De fato, cada ovelha tem o tosquiador que elege.

sexta-feira, 20 de março de 2009

Bilhete ao senador Tião Viana - Carlos Umberto Campos

Tenho acompanhado o noticiário político nacional e constato que o senhor está sendo defenestrado na mídia. O motivo é o malsinado celular do Senado emprestado por V. Exa. (este pronome de tratamento tem que ser repensado) à sua filha que teria viajado ao México, com o povo pagando a conta (R$ 10.000,00), segundo divulgado pela mídia.

A explicação que o senhor deu é que fez o que fez por ser um pai preocupado. Ouvi hoje no rádio, aqui no RS, a interpretação que o jornalista deu à sua desculpa (que cá entre nós é risível/burlesca). Disse ele que seria como se o senhor tivesse falado assim: "Eu tenho preocupação como pai e vocês contribuintes que paguem a conta. Agora, se vocês tiverem preocupação com seus filhos que paguem a conta vocês mesmos."

Parabéns o senhor só receberá de mim no dia em que tratar a coisa pública com mais seriedade e deixar de contribuir (oferecendo argumentos) àqueles que falam em FECHAR O SENADO, porque não tem sentido o sistema bicameral, que é caro/desnecessário/deficiente.

Para finalizar gostaria que o senhor se manifestasse sobre as seguintes inquietações que tenho:

- o que é pior: uma ditadura ou uma falsa democracia?

- uma falsa democracia não a mesma coisa do que uma ditadura branca?

- o nosso voto em uma falsa democracia tem algum valor? Senador: faça só o melhor para o Brasil. É para isto que lhe outorgaram um mandato!”

Eu quero a minha diretoria - Miguezim da Princesa

(Contribuição de Guilherme Sociuas Villela)
I
Senadores da República,
Venho relatar meu tormento:
Trabalhei a vida inteira,
Tive um fusca e um jumento,
Mas não consigo juntar
Dinheiro para comprar
Uma casa ou apartamento.

II
Depois de muito lutar,
Vim parar na capital,
Onde tudo é muito caro
Na especulação fatal.
Por mais que tenha apelado,
Difícil é ser contemplado
Com imóvel funcional.

III
Trabalho até altas horas
Da vista se irritar,
Da perna ficar dormente,
Do cabelo arrepiar,
Da coisa mudar de tom,
Mas hora-extra que é bom
Ninguém vem pra me pagar.

IV
Quando vou à Paraíba
Num baú a chacoalhar,
Não aparece um cristão
Disposto a me ajudar
Com uma passagem de avião
Pra melhorar meu padrão
E o cansaço aliviar.

V
Princesa é como no México:
Esse celular normal,
Que a gente compra nas lojas,
Quando pega, pega mal.
Assim quando lá eu for,
Vou pedir ao senador
Um celular funcional.

VI
Quero ingressar no Senado,
Ser funcionário exemplar,
Tomar conta de garagem,
Limpar o chão, capinar,
Dirigir escadaria,
Mas depois, no fim do dia,
Degustar um caviar.

VII
Eu quero ser diretor
Para dar nó de gravata,
Ficar enrolando bufa
Ou filmando passeata,
Ganhar mais que senador,
Passear no corredor
Só espalhando bravata.

VIII
Eu quero ser diretor
Montado na brilhantina,
Cheio de ajuda de custo
Para botar gasolina
No posto do meu irmão
Que fica na contramão
Da ética que me arruína.

IX
Diretor eu quero ser
Para um assunto retado:
Passar o dia flanando
Atrás de rabo assanhado
De piriguetes sabidas
Que se fingem de perdidas
No corredor do Senado.

X
Eu quero ser diretor,
Bem nos conformes da lei.
Só que existe um problema:
A lotação eu não sei.
Eu topo qualquer lugar,
Até mesmo pra escovar
O bigode do Sarney.