Tenho acompanhado o noticiário político nacional e constato que o senhor está sendo defenestrado na mídia. O motivo é o malsinado celular do Senado emprestado por V. Exa. (este pronome de tratamento tem que ser repensado) à sua filha que teria viajado ao México, com o povo pagando a conta (R$ 10.000,00), segundo divulgado pela mídia.
A explicação que o senhor deu é que fez o que fez por ser um pai preocupado. Ouvi hoje no rádio, aqui no RS, a interpretação que o jornalista deu à sua desculpa (que cá entre nós é risível/burlesca). Disse ele que seria como se o senhor tivesse falado assim: "Eu tenho preocupação como pai e vocês contribuintes que paguem a conta. Agora, se vocês tiverem preocupação com seus filhos que paguem a conta vocês mesmos."
Parabéns o senhor só receberá de mim no dia em que tratar a coisa pública com mais seriedade e deixar de contribuir (oferecendo argumentos) àqueles que falam em FECHAR O SENADO, porque não tem sentido o sistema bicameral, que é caro/desnecessário/deficiente.
Para finalizar gostaria que o senhor se manifestasse sobre as seguintes inquietações que tenho:
- o que é pior: uma ditadura ou uma falsa democracia?
- uma falsa democracia não a mesma coisa do que uma ditadura branca?
- o nosso voto em uma falsa democracia tem algum valor? Senador: faça só o melhor para o Brasil. É para isto que lhe outorgaram um mandato!”
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sexta-feira, 20 de março de 2009
segunda-feira, 16 de março de 2009
Veemência e violência - Jayme Copstein
É difícil entender o gesto de cinco vereadores de Porto Alegre – quatro PTB, um do PMDB – devolvendo à psicóloga Sônia Sebenelo o livro que escreveu sobre “Gênero e Poder”, durante sessão de pré-lançamento na Câmara Municipal.
Discordando do termo “ex-ladra” usado pela autora para relatar a comovedora história de vida de Teresa Franco, a “Nega Diaba”, emergida da marginalidade, como exemplo da luta da mulher por um lugar ao sol, os edis decidiram marcar posição através de gesto descortês na aparência, porém uma agressão à liberdade de pensamento na essência.
Teresa Franco, em cujo currículo se inclui mandato de vereadora já quase no final da vida, registrou em declarações à imprensa, as atribulações de seu passado de prostituição, furtos e drogas, relato ao qual acrescentava a fantasia de ter sido a primeira traficante mulher de Porto Alegre.
A discordância dos vereadores centrou-se na expressão “ex-ladra”, usada por Sônia Sebenelo ao relatar no livro a trajetória de Nega Diaba. Queriam “ex-batedora de carteiras”, entendendo haver entre as duas expressões uma diferença cuja sutileza só está ao alcance de intelectos mais privilegiados.
Não é, porém, a discordância o ponto central. É a descortesia do gesto, o de devolver o livro à autora em plena sessão da qual eram, como seus pares, os anfitriões. A grosseria transforma veemência, direito do debatedor, em violência para coagir o antagonista ao silêncio. É incompatível com um legislativo, o altar onde a chama da liberdade se mantém acesa, mesmo nos piores tempos quando se refugia no aconchego dos mártires.
É com gestos assim que começam as ditaduras. Hoje se impõe o que pode e não pode ser escrito. Amanhã, o que pode ser e não pode ser votado na Câmara Municipal, na Assembléia Legislativa ou no Congresso. Depois de amanhã, o que cada de um nós deve pensar e dizer em honra do Guia dos Povos. .
Discordando do termo “ex-ladra” usado pela autora para relatar a comovedora história de vida de Teresa Franco, a “Nega Diaba”, emergida da marginalidade, como exemplo da luta da mulher por um lugar ao sol, os edis decidiram marcar posição através de gesto descortês na aparência, porém uma agressão à liberdade de pensamento na essência.
Teresa Franco, em cujo currículo se inclui mandato de vereadora já quase no final da vida, registrou em declarações à imprensa, as atribulações de seu passado de prostituição, furtos e drogas, relato ao qual acrescentava a fantasia de ter sido a primeira traficante mulher de Porto Alegre.
A discordância dos vereadores centrou-se na expressão “ex-ladra”, usada por Sônia Sebenelo ao relatar no livro a trajetória de Nega Diaba. Queriam “ex-batedora de carteiras”, entendendo haver entre as duas expressões uma diferença cuja sutileza só está ao alcance de intelectos mais privilegiados.
Não é, porém, a discordância o ponto central. É a descortesia do gesto, o de devolver o livro à autora em plena sessão da qual eram, como seus pares, os anfitriões. A grosseria transforma veemência, direito do debatedor, em violência para coagir o antagonista ao silêncio. É incompatível com um legislativo, o altar onde a chama da liberdade se mantém acesa, mesmo nos piores tempos quando se refugia no aconchego dos mártires.
É com gestos assim que começam as ditaduras. Hoje se impõe o que pode e não pode ser escrito. Amanhã, o que pode ser e não pode ser votado na Câmara Municipal, na Assembléia Legislativa ou no Congresso. Depois de amanhã, o que cada de um nós deve pensar e dizer em honra do Guia dos Povos. .
quinta-feira, 5 de março de 2009
A porteira - Jayme Copstein
Há poucos dias alguém se queixava de que a impunidade inutilizou o Código Nacional de Trânsito, após 11 anos de vigência. Ora, faz muito mais tempo que a impunidade ampla, geral e irrestrita desde que se tenha um bom dinheiro para pagar advogados competentes, destruiu a segurança das pessoas e mandou para a lata do lixo tudo o que dizia respeito à ética, à moral e à decência.
Exagero? Os escândalos protagonizados pelos políticos bastam para concluir que a palavra deveria ser mais forte, como as que antigamente não se falava na frente de senhoras. Hoje são elas que as dizem sem nenhum constrangimento.
Como tudo isso começou? Há alguns dias, alguém contrapunha que a ditadura militar terminou há mais de 20 anos. Portanto, a ela não podem ser atribuídos os pecados de hoje.
Estamos falando apenas de impunidade. A pergunta que cabe é: quem abriu a porteira para a tropilha passar? Foi nos anos 70, quando os crimes praticados pelo delegado Sérgio Fleury não podiam mais ser escondidos, que a ditadura foi buscar a doutrina para livrá-lo da cadeia.
O primeiro sintoma do que haveria de ocorrer dali por diante aconteceu em um programa de rádio, quando um Delegado de Polícia tentou prender o estelionatário que se fazia passar por coitadinho, para arrancar donativos dos incautos. “Não pode me prender”, o vigarista reagiu. “A lei agora está do nosso lado.”
Continua até hoje.
Exagero? Os escândalos protagonizados pelos políticos bastam para concluir que a palavra deveria ser mais forte, como as que antigamente não se falava na frente de senhoras. Hoje são elas que as dizem sem nenhum constrangimento.
Como tudo isso começou? Há alguns dias, alguém contrapunha que a ditadura militar terminou há mais de 20 anos. Portanto, a ela não podem ser atribuídos os pecados de hoje.
Estamos falando apenas de impunidade. A pergunta que cabe é: quem abriu a porteira para a tropilha passar? Foi nos anos 70, quando os crimes praticados pelo delegado Sérgio Fleury não podiam mais ser escondidos, que a ditadura foi buscar a doutrina para livrá-lo da cadeia.
O primeiro sintoma do que haveria de ocorrer dali por diante aconteceu em um programa de rádio, quando um Delegado de Polícia tentou prender o estelionatário que se fazia passar por coitadinho, para arrancar donativos dos incautos. “Não pode me prender”, o vigarista reagiu. “A lei agora está do nosso lado.”
Continua até hoje.
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