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domingo, 22 de março de 2009

Ditos e achados -- Humberto Castello Branco

Nas sociedades subdesenvolvidas, a motivação para resolver problemas excede de muito o conhecimento técnico e a capacidade prática para escolher e aplicar soluções adequadas. Esse contexto de frustração é propício ao surgimento de dois protagonistas funestos para o sadio desenvolvimento democrático: um é o demagogo, que promete resolver todos os problemas, apelando para fórmulas mágicas que trariam soluções integrais e rápidas. Outro é o extremista, que renuncia ao penoso esforço das soluções de melhorias, que por sucessivos incrementos remedeiam os males sociais. O radicalismo ideológico simplifica barbaramente a realidade; se o problema é de luta de classes, escolhe-se uma classe eleita e eliminam-se as outras; se o problema é conter o consumo para acumular capital, escraviza-se o consumidor, transferindo todos os recursos para as mãos do Estado; se o problema é o divisionismo político, estabelece-se a ditadura do partido, e quando este perde o seu fervor, fazem-se expurgos e revoluções culturais.

quinta-feira, 12 de março de 2009

A teoria das conspirações

Leitores me remeteram muitas mensagens sobre a coluna “No altar da hipocrisia”, analisando a reação diante dos crimes sexuais contra menores, rotina no Brasil, apenas não tão divulgados quanto o necessário.

Entre essas mensagens, chamou-me a atenção um “tijolão” de légua e meia, defendendo a tese de conspiração internacional para submeter o Brasil através da prática do aborto. A mensagem, em sua consistência, não difere muito das que, no lado oposto, assestaram os canhões contra o arcebispo do Recife e até o próprio Papa Bento XVI.

É fácil criar fantasmas para desviar a atenção do essencial, tão fácil que é arma predileta das ditaduras para eliminar os antagonistas e esconder suas mazelas. O essencial, a ignorância que semeia a miséria e a violência nem entram na cogitação dos que se posicionam segundo as suas próprias paixões e não percebem que falam as mesmas coisas para si próprios, como se estivessem diante de um espelho, apenas com a imagem invertida.