segunda-feira, 21 de dezembro de 2009

A barriga de Papai Noel – Jayme Copstein

Leio no portal Último Segundo que um gajo politicamente correto quer emagrecer Papai Noel, devolver as renas ao seu ambiente natural, onde serão devoradas pelos lobos e águias-reais, terão os olhos de seus filhotes recém-nascidos arrancados pelos corvos, e o que sobra vai alimentar os inuits (índios do Canadá, Alasca e Groelândia), que também as usam como animais de tração, mas tudo dentro do melhor figurino porque, como todos sabemos, é só o homem branco que destrói a harmonia e paz da bondosa mãe-natureza.

O gajo que deseja emagrecer Papai Noel é o médico australiano Nathan Grills. Em artigo publicado no British Medical Journal, ele argumenta que a imagem atual de Papai Noel promove a obesidade, a condução de veículos sob efeito do álcool e em alta velocidade. A bem da verdade, não atribui a Papai Noel os palavrões de Lula e Ciro Gomes nem o mensalão do Zé Dirceu ou do Zé Arruda. No caso particular de Lula, que vive gordo e comete certos abusos, não teria nenhum sentido. Como o próprio Lula conta, ele lá sabia quem era Papai Noel, quando guri pobre no Interior de Pernambuco.

Mas o dr. Grills, que nada tem a ver com os "grills" do George Foreman, apregoados como milagrosos pelo Polishop para retirar a gordura da carne em cada intervalo da quinquilhonésima repetição do "Medical Detectives" ou do "Law and Order" na Net, cunhou uma frase antológica, cuja perpetuidade está assegurada nos anais da filosofia universal: "É um risco muito pequeno, mas que atinge uma faixa muito grande de pessoas." É uma frase para iniciados que necessita de muita hermenêutica – vá alguém pensar que é risco pequeno colocar a grande barriga de Papai Noel no grill de George Foreman, sem se dar conta de que ela com toda a certeza não cabe nele.

>No frigir dos ovos – ainda não sendo Páscoa e o Coelhinho continuando politicamente correto – quem sempre teve razão foi o Sérgio Jockyman, ao escrever que asneira não paga imposto. Se pagasse, bastaria a cobrança sobre o que foi dito em Copenhague recentemente, para financiar a redução das emissões de carbono, sobrando dinheiro até para que os nossos salvadores da pátria roubarem com toda a honestidade.

Trânsito

A unanimidade dos jornais neste fim de semana foi a trágica estatística do trânsito. Aumentando o impacto, entre as vítimas o cineasta Fabio Barreto, nome em grande evidência por ser o diretor do filme "Lula, o Filho do Brasil".

Cabe aqui acrescentar alguns comentários que não serão feito pela importância do protagonista. Contudo, outro acidente, no Rio de Janeiro mesmo, teve a mesma explicação: o motorista perdeu o controle do veículo.

Ora, só há uma possibilidade se perder o controle do veículo com resultados tão demolidores: excesso de velocidade. Se quebrou uma ponta de eixo, se estourou um pneu, enfim, se o carro apresentou algum defeito mecânico, é mera consequência.

Aqui cabe a indagação; se alguém como Fabio Barreto, artista de talento, carreira em plena realização, sem problemas pessoais conhecidos, transgride assim as leis da prudência, o que se dirá do resto da população, que sequer aos clássicos 15 minutos de glória tem acesso?

Não há indicação mais clara de um problema sério de educação do brasileiro, e aqui não se está falando de classes econômicas menos favorecidas, que estas sequer têm acesso ao automóvel, apesar do facilitário para salvar a indústria automobilística. Somos todos nós, os carentes de uma preparação para a vida. Daí, porque fazemos o que fazemos e também a violência que nos assola.