terça-feira, 13 de dezembro de 2005

O gabinete sombra - Jayme Copstein

Correspondência de Ralph Hofmann, de Porto Alegre, induz a ligar coisas aparentemente sem nexo – a acusação de golpismo, feita por Lula à oposição, e a sua antiga tentativa de criar um governo paralelo, quando Fernando Henrique Cardoso assumiu o primeiro mandato.
A idéia não era original nem Lula reivindicava a paternidade. Derrotado mais uma vez nas urnas, manifestava a inconformidade com o desejo dos eleitores. Buscou no parlamentarismo o chamado "shadow cabinet" – o gabinete sombra – para “marcar de cima” o novo governo.
A invenção não seguiu adiante por descabida no regime presidencialista. Tem cheiro de conspiração.
O conceito original de gabinete-sombra é bem outro. Funciona como laboratório para a oposição e a prepara para assumir o poder, na eventualidade de se alterarem as forças no Parlamento. Os integrantes têm status de ministro. Recebem todas as informações concernentes à sua pasta e nela não serão os estranhos que não sabem sequer onde fica o banheiro.
Por conter tantas salvaguardas, o parlamentarismo é infinitamente superior ao presidencialismo. Não acaba com as crises, mas as resolve rapidamente, dentro da lei, sem paralisar a vida da Nação.
Não é nenhuma panacéia. Com a falta de qualidade de congressistas eleitos pelo voto proporcional, sua adoção significaria trocar um caos pelo outro. Tivéssemos o bom e velho voto distrital, poderíamos considerar tranqüilamente o parlamentarismo. O Brasil não estaria atolado nesta crise que se instalou desde que Roberto Jefferson jogou esterco no ventilador.

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